América Latina

Por: Evelyn Marie Araújo, recolectora de historias |Fundadora do Coletivo Egunitá Dúdú Yori | Salvador de Bahía, Brasil

Minha Versão
(Cinthia Maria Sant’Anna Rodrigues)

Uma história não contada eu vou te apresentar,
minha versão de Cachoeiro, minha cidade, meu lugar
Espírito Santo como estado, Vitória como capital,
a Princesinha do Sul acaba sendo um canal.

Com suas jazidas de mármore hoje é centro internacional,
mas, o ouro, café, e o açúcar já beneficiaram a economia estadual.

Lá tem verde, lá tem rio, tem Flamboyant e tem granito,
uma das coisas que eu não vejo é a quantidade de lixo.

Evelyn

Hoje morando em Salvador observo outra realidade,
um lugar que abre espaço para o lixo, poluição, e desigualdade.

Ao andar no final de tarde pela Lapa, só tem uma visão,
comida sendo jogado fora,
enquanto muitos só querem um pão.

Outra história não contada eu vou te apresentar,
a barreira de Mariana acabar com a vida Popular.
Povo Preto, negro, hoje vive de que ?
Ontem era de peixe, hoje tem lama para comer.

Eu cresci vendo rio e o Pico do Itabira,
hoje olho a poluição ser maior que minha comida,

Quando olho Dique não tenho muito que pensar,
só imagino como seria bonito aquele lugar,
se todo aquele lixo tivesse espaço para descartar,
se todo mundo cuidasse de um melhor lugar para morar.

Outra história muito menos contada eu vou te apresentar,
ver meu povo preto e pobre não tem lugar para morar,
é ver em baixo da ponte os maiores atingidos,
morando perto do esgoto às vezes comendo lixo.

Não é da minha conta,
é da nossa conta,
viver em um lugar,
sem nenhum tipo de esperança.

Não é porque eu sou preta,
não é porque eu sou branca,
é porque precisamos ter consciência
que o meio ambiente é como uma planta.

É preciso preservar,
é necessário proteger,
é importante, cuidar do meio em que seu neto vai viver

Reflexão
(Nívia Maria Trindade)

Nivia

Eis que faço uma proposta bem direta a você
Que tal interagir sem destruir, sem perecer
Já é hora de parar pra refletir e perceber Destruição, Racismo, Feminicídio, não dá mais para manter

Não consigo entender o quê ainda o leva a crer
Que o seu falo lhe faz forte, lhe agrega mais poder
Infelizmente ela e eu estamos juntas no sofrer Terra e Mulher seguem em luta unidas a prover

Meio Ambiente, Malala, Helem e Luana ou a ativista Marielle
Em suas entranhas, sangue, carne, ou em minha própria pele
Alvos certos da maldade que persiste em ocorrer
Resistir é estratégia pra quem quer sobreviver

Talvez se eu fosse pop como diz a propaganda
Deixaria de dizer presente pelas manas
Desmatando, queimando, ou seja, atirando
E no emprego do gerúndio você segue nos matando

Sei que isso não lhe atinge e para tu pouco importa
Se a trajetória do progresso segue por vias tortas
O importante é o lucro que o Agro gera
Ainda que isso custe até a exosfera

O princípio é o mesmo para amebas criaturas
Explorada, violentada, mas mantenha a postura
O silêncio é imposto, pois é grande aliado
E assim beneficia o velho e bom patriarcado

E disse jeito o progresso segue firme violentando Ideais ambientais, feministas e dos povos africanos
A palavra é Respeito, sim senhor é o nosso lema
Não é utópico, é possível, e eu sei que vale a pena

Para que os filhos dos seus filhos consigam compreender
Que a Natureza e os Desamparados tem o direito de permanecer.

 

 

SALVE O QUILOMBO DOS MACACOS!
(Cristiane Araújo)

Sou Cristiane Araújo filha de Oxum e das águas eu vim e para elas sempre retorno. Nasci nos entornos de um dique que é morada de minha mãe onde vivo até hoje. Sempre fui envolvida na preservação ambiental e dos locais sagrados da minha fé religiosa. Há tempos fui a um evento na defensoria pública do estado da Bahia, onde ouvi um relato comovente sobre um quilombo que estava sendo ameaçado pela Marinha Brasileira, neste relato um dos pontos que mais me chocou foi o fechamento da passagem dos moradores, para que as mesmas não usassem o direito primordial dos seres humanos de ir e vir. Pessoas morreram lutando para que o quilombo dos macacos permanecesse em sua área preservando sua memória afrodescendente e toda sua cultura étnico-racial.

Interstitials_Fists.jpgA preservação do Quilombo deve ser garantida pelo estado, pois faz parte de um patrimônio histórico do país e é um memorial vivo de resistência do meu povo. O quilombo dos Macacos está sendo degredado, poluído e ameaçado por pessoas que deveriam protegê-lo, os quilombolas não podem plantar, utilizar suas águas, transitar nos seus territórios, pois quando a marinha não haja com violência física contra os homens a mesma se utiliza de ataques violentos contra mulheres e crianças. “O Quilombo dos Macacos vive com medo! ” Esta foi a fala de uma moradora do Quilombo que perdeu neste conflito seu pai. Realmente gostaria de ajudar, quero publicizar esta história e quero que o mundo ajude essas pessoas que sofre lutando pelo seu local de nascimento, pela preservação de sua história, de sua cultura e de seu meio ambiente.


Por: Alba Crespo Rubio |Hace parte de Vivas Nos Queremos|La Periódica|La Observatoria | España/Ecuador

Cuidarnos

A nosotras, a las otras. Tenernos en cuenta, tenernos en cuidado. Saber quiénes somos y dónde, saber qué y porqué hacemos, y saber cuándo pedir ayuda, apoyo, amor. Sobretodo saber ofrecer y dar, a montones. Cuando podamos y cuando queramos.

Vivir y ser consciente de ello es complicado. Es más fácil que todo pase por nuestro lado, veloz, y que miremos cómo pasa, se para y se va (o no). Lo que cuesta es agarrarte a eso y analizarlo, decepcionarte, enfadarte, indignarte, querer cambiarlo. Transformar la realidad. Ilusionarte, emocionarte, querer formar parte de ello. Porque cuando te implicas intensamente, los golpes son más intensos, las heridas más profundas, pero las alegrías, las sonrisas, también.

Necesitamos un lugar donde aterrizar. Un suelo suave y acogedor bajo nuestros pies, que nos recoja al final del día, al final de la lucha (o entre lucha y lucha cotidianas). Y este está hecho de brazos y manos, de vientres, de sexos, de orejas de oídos, de labios. No hace falta que sean muchas, sino cercanas. Necesitamos cuidarnos, mucho, las unas a las otras, para seguir.

Represión. El amigo, la compañera, que un día detuvieron en una marcha donde gritábamos para que no desalojaran un espacio okupado en el barrio, un espacio de convivencia, de resistencia. Todas corríamos delante de policías militarizados hasta los dientes, que nos perseguían, creyéndonos (gritándonos) criminales. Cuando nuestras armas no eran más que la consciencia, el sabernos libres, y la firme decisión de no dejar que nos tomaran todo eso que habíamos construido juntas. Nos atacaban, nos golpeaban, como animales. Eran ellos los ejecutores del sistema criminal. El amigo detenido, en riesgo de expulsión del país porque no tenía papeles: las compañeras que no dormimos buscando documentos, escribiendo y firmando declaraciones de “buena conducta”, que fuimos al día siguiente a la ciudad de la justicia, y estuvimos allá de pie juntamente con otras compañeras que también tenían alguien ahí dentro, que lloramos cuando salió, mientras nos abrazábamos. Y digo compañeras, porque había compañeros, pero la mayoría éramos compañeras.

La militancia. Asambleas, reuniones, encuentros para “tomar un café”, debates fuera de horas. Salir frustrada, triste. Sintiendo que no llegasteis a ninguna parte, o al menos, no allá donde decíais que nos llevaba la organización. Parece que me afecta más que a él, todo esto. ¿Por qué llega un punto en que no puedo más?¿Por qué aguanto hasta entonces para buscar los brazos de alguien entre los cuales deshacerme? Miro a mi alrededor, y él resta impasible. Frío, duro, parece que sabe qué hacer y cómo hacerlo. Yo dudo, me desespero para encontrar otras vías, soluciones, alternativas. Busco aprobación, consensos, puntos para hacerlo cómodo para todas. Muchas veces choco con paredes con pene que siempre tienen una idea mejor. Querer decir lo que piensas y hacerte pequeña. Hacerte grande, y decirlo, pero que todo sean gritos, y se te ponga en duda. No saber cómo hacerlo. Y lo haces, lo hacéis, y sale bien. Pequeñas victorias que hace falta celebrar. Pero que nos han costado la piel, y las fuerzas. La necesaria cerveza (o cervezas) de después, que cura y hace estrechos los lazos va bien para continuar caminando al día siguiente. A veces, pero, hace falta más. Hace falta una reconstrucción total del tejido epitelial que nos prepare para afrontar juntas la siguiente batalla.

Interstitials_hands_01.jpgEl amor mal entendido. Nadie nos había enseñado esto, que el amor no era lo que nos habían contado. Me encuentro desamparada ante cosas que no esperaba. Busco entre lo que creo que sé y no encuentro cómo salir de ahí: ¿qué hago si sé que no puedo, ni me gusta, retener a alguien a mi lado, si lo que creíamos las dos es que nos querríamos para siempre? No quiero ahogarme, prefiero descubrir que amar no es sufrir, no es esconder, no es huir de la capacidad de sentir amor por más de una persona, con más de una persona, y de maneras distintas. Aunque cueste romper muros, sobre todo los que yo misma he ido construyendo. Seremos nosotras las que tendremos que rehacer el camino del amor, abriendo puertas y ensanchando los ojos y los corazones. Dándonos cuenta dónde nos sentimos inseguras, y poner parches que con el tiempo y la práctica serán parte de nosotras. Huir de roles, de dominios, de pertenencias y hacernos unas relaciones a medida, de las que podamos decidir en todo momento el rumbo y la tripulación.

Hemos sentido siempre que lo personal era privado, nos lo teníamos que comer solas. ¿A quién le interesa lo que sientes? ¿Qué te importa la vida de las demás? Nunca más tiene que ser así. No es nuestra culpa, no son temas íntimos: tienen que ver con aquello que nos rodea, cómo nos relacionamos con ello, cómo se nos impone la cotidianidad, un uso del tiempo para que no podamos compartirlo, hacerlo común, para evitar que socialicemos nuestras particularidades.

Cuidarnos es aquello que nos mantiene vivas y fuertes, que nos hace más fácil salir y devorar la calle, la ciudad, el mundo; sobrevivir, a veces; superar derrotas, duelos, contradicciones, convertirlas en experiencias de resiliencia. Luchar y transformar. Somos personas, por mucho que a menudo lo escondan, nos lo escondan, lo escondemos. Y como somos reales, frágiles, tenemos que hacer de los cuidados la base y el centro de todo. Querernos a nosotras mismas, querer, dejarnos querer. Y claro está, no querer a quien nos hace daño, expulsar aquello que nos destruye o nos impide construir, combatir a quién se oponga a que sigamos pensando que esta manera de caminar es posible.

Ser felices o intentarlo con todas nuestras fuerzas.


Por: Diana Castro | Hace parte de Corporación Sihyta | Bogotá, Colombia

Mujer Compleja

A lo largo de la historia, la necesidad de comprender la relación Ser humano/Naturaleza ha adquirido un papel fundamental para encontrar soluciones que permitan retomar el equilibrio ambiental. Esta “relación” no ha sido simple de analizar ya que el dinamismo del “ambiente” lo convierte en un factor complejo de entender. Colombia por ejemplo, es un país megabiodiverso con hechos históricos trascendentales, el país con la mayor biodiversidad del mundo y con infinidad de culturas indígenas que aún prevalecen en nuestro territorio, además contamos con cicatrices de la guerra aún recientes, son por estas razones que la idea de implementar una la ley general para todos los territorios ha fracasado por completo (Carrizosa, 2003).

Adentrarse a estudiar los temas ambientales en Colombia no es nada fácil, la necesidad de tener cierto grado de sensibilidad para percibir las causas de conflicto y plantear soluciones acertadas resulta fundamental. Pero, al parecer esto no ha sido primordial para nuestros gobernantes, nada más falta dar un vistazo a la situación ambiental actual, donde la mayoría de políticas ambientales implementadas son copia pura del extranjero.

PINTURA FRIDA 001-1.jpg

Tal como lo enuncian varios autores académicos el estudio de los sistemas complejos, requiere sujetos complejos, y pues bien la mujer representa una mente compleja, ya que una de las múltiples formas que se describe a la mujer es “compleja”, por años muchas de nosotras hemos negado esta denotación porque se ha convertido en una característica que hace parte de nuestras “debilidades”. Pero qué pasaría, ¿si no la negáramos? ¿Y si la llegáramos a aceptar como una capacidad indispensable para entrar al mundo del pensamiento complejo, la cual nos permita entender los conflictos ambientales de nuestro territorio y tomar decisiones certeras que ayuden a la madre tierra? ¿Y si al aceptar nuestra complejidad nos conectáramos con las dinámicas de cada ecosistema permitiéndonos redescubrir la naturaleza de los conflictos que lo afectan?
Ahora bien, existen muchas analogías de la mujer con la madre tierra y nuestro trabajo territorial como organización nos ha demostrado que efectivamente las mujeres poseemos ese grado de sensibilidad, poseemos esa sutileza y un amor especial por el cuidar de la tierra, tal como lo define el ecofeminismo, somos las llamadas a ser cuidadoras de la tierra y enfrentar la lucha contra el patriarcado capitalista que tanto daño le ha hecho al planeta (Shiva, 1993).

Lastimosamente, la mayoría de los teóricos que se adentran a este campo de estudio son hombres, realmente son pocas las mujeres que se atreven a incursionar en este tipo de investigaciones, de por sí, las mujeres tienen cierto sesgo con el estudio de la “ciencia”, una investigación realizada por el instituto estadístico de la UNESCO reveló que sólo el 28% de los puestos científicos de investigadores son ocupados por mujeres. (Unesco, 2017).

Si bien, la brechas para que las mujeres puedan acceder a la ciencia han disminuido en un gran porcentaje, aún prevalece el miedo de la mujer de incursionar en este campo cientos de años de discriminación y violencia han provocado una ola de baja autoestima que imposibilita la capacidad de reconocer nuestro verdadero poder. Este escrito no niega la oportunidad a los hombres de entrar en el área ambiental, es más un elogio a la mujer compleja, es una extensa invitación a que se sumerjan en el estudio de la complejidad ambiental, invita, a que sean conscientes que somos mentes únicas y que con nuestras grandes capacidades aún inimaginables podemos contribuir al desarrollo de nuevas disciplinas para la administración ambiental de nuestros territorios que tanto lo necesitan, es un llamado de SOS de madre tierra.


Por: Maytik Avirama | Hace parte de TierrActiva Colombia | Colombia

En Nosotras

Tanta belleza y tanto dolor
Tanto amor y tanto cuidado
Tanta cicatriz en tanta historia
Tanto por decir y tanto silencio
Tanto ruido y tanto silencioInterstitials_water.jpg

Tanto por entender
por aprender
por honrar

Tanto duelo pendiente
Tantos nacimientos
Tanta alegría en tanto miedo
Tanto y tan rápido
Tan rápido y tanto

Tanta vida,
tanta vida,
tanta vida.


He llegado al cuidado por una sensación que creía imposible. Es paradójica, entendible y a la vez intrigante: por momentos me aterra la vida.
Soy activista ambiental, ecóloga humana, aprendiz de partera, y aprendiz de medicina tradicional china. Amo el agua, las plantas, los niños, las mujeres. Gran parte de lo que hago en mi día a día está relacionado con un servicio hacia la vida, con ideales de lucha contra un sistema que nos asesina y desangra. Y aún así, hay momentos en que tanta destrucción y tanto caos me sobrepasa. Hay momentos en que tanta muerte afuera se siente adentro, momentos en los que todo lo que hago me parece como direccionar una gota de agua lluvia al mar, momentos de desilusión y duda.

He llegado al cuidado porque afirma la vida de una manera que a veces la lucha y la racionalidad no alcanzan. Por que logra tejer la resistencia con la creación, el dolor con el goce, la experiencia con el saber. Porque por pensar en lo global abandoné lo local, porque pensando en la tierra me olvidé que soy parte de ella. Porque necesitaba recordar y recordarme, recordar el sentido de mi hacer.

Al recordarme he entendido que soy parte de la red de la vida y que mi salud y bienestar son tan importantes como las de todas las otras formas de vida que admiro y valoro. También he entendido que la tierra herida es la humanidad herida y que tengo que honrar ese dolor colectivo, ese dolor que también es mío y que también es nuestro. He empezado a hacer el duelo por las luchas antiguas, por tanto sufrimiento que carga la historia que nos sucede. He empezado a liberarme de tantos deberes auto-impuestos y culpas heredadas. He empezado a celebrar mis vínculos. Y lo más importante de todo este proceso: me he recordado mujer.

Empecé reconociendo mis ciclos, entendiendo las diferentes facetas de la luna y cómo se conectan con mis propias facetas hormonales. Resignificar mi menstruación y mi capacidad de limpiarme y procesar la vida a través de mis ciclos me ha fortalecido para reconectarme con mi cuerpo y emanciparme en mis ritmos. Seguí por la historia familiar, recogiendo las historias de mi mamá y mis abuelas, mis tías y primas, celebrándolas y aprendiendo a comprenderlas sin juicios, sin dolores. Poco a poco he ido extendiendo mi interés de lo personal a lo colectivo. Haciendo círculos de mujeres donde nos reconocemos espejo y nos acompañamos en nuestros procesos, haciendo menjurjes* con plantas medicinales para el cuidado del cuerpo y llevándolos a espacios auto-gestionados por mujeres, aprendiendo partería para celebrar y acompañar nuestra capacidad de traer vida al mundo. Es en estos ámbitos que la cultura del cuidado hace una diferencia fundamental en la construcción de cambio social: tejiéndonos desde la celebración de los vínculos y el goce amoroso de la vida (propia y colectiva) logramos recrearnos fuertes y unidos en un planeta que es en esencia femenino porque crea la vida, la nutre y la sostiene.

*Menjurjes: una preparación, pócima, cocción. Puede ser de plantas, sustancias, emociones, pensamientos.


Por: Mercedes Escobedo | Hace parte de Colectivo Rochoch Tz’unun (Casa Colibrí) | (Asociación femenina para el Desarrollo de Sacatepéquez | Colectivo Ecologista Madreselva| Guatemala

Recuperando la Simbiosis con la Madre Tierra

La vida en la tierra ha sido una historia de interminables interacciones entre seres vivos y su ambiente. Cada componente cumple su función y con ello logra beneficiar a otros, como a sí mismo. A estas interacciones complejas y complementarias se les conoce como simbiosis. Un ejemplo de una relación simbiótica sería la que existe entre los zompopos* y los bosques. Los zompopos son considerados los podadores naturales pues recortan las copas frondosas de árboles y arbustos, permitiendo que otras plantas reciban luz y puedan desarrollarse; así mismo, las especies podadas retoñan con el tiempo, renovado sus hojas y estimuladas por ese mismo corte, mejoran su crecimiento.

Con la materia verde recolectada, los zompopos realizan el cultivo de hongos que les sirve como alimento. Finalmente estos grandes jardines subterráneos se convierten en aboneras que proporcionan a las plantas de la superficie los nutrientes necesarios para desarrollarse. La relación simbiótica en este caso se da en el momento que el zompopo al buscar su beneficio (alimento), ayuda al bosque a desarrollarse y crecer. Muchas de estas relaciones simbióticas son indispensables para dar continuidad a la vida, infinidad de plantas y animales han coexistido durante siglos sin alterar significativamente su ambiente y beneficiándose unas con otras.

Rebeca Haydu - Merce Monzon

Sin embargo una especie logró interrumpir este equilibrio, la humana. A lo largo de la historia la humanidad ha logrado vivir en la tierra adaptándose a su entorno y beneficiándose de él sin causar mayor impacto, hasta que en los últimos siglos y más aún en los últimos 25 años, desarrolló la capacidad de modificar el ambiente a su conveniencia, utilizado la alimentación como una de las principales excusas. La agricultura es y debe ser una relación simbiótica entre plantas, animales y los elementos básicos de la vida, donde -mediante diferentes técnicas- se realice la siembra y cosecha de alimentos. Dejando este concepto de lado, la humanidad pasó de una agricultura natural para la vida y la alimentación, a una agricultura intensiva-extensivamonocultivista para el mercado y la generación de ingresos, olvidando el papel simbiótico de la humanidad con la naturaleza.

¿Cómo logramos recuperar esa relación simbiótica con la naturaleza?

Inicialmente se hace necesario reconocer que la humanidad ha creado distintos sistemas de opresión con los que somete no sólo a su especie, si no que a la naturaleza entera. Entendiendo lo anterior, se debe de trabajar para lograr emancipar los cuerpos humanos (principalmente de las mujeres y de los pueblos) en conjunto con el de la Madre Tierra, al igual como lo harían los sistemas naturales. Por ejemplo: en la naturaleza un suelo erosionado (violentado por la agricultura intensiva o condiciones climáticas), necesita de cinco a diez años en promedio para recuperar su vida. Esto puede lograrse mediante la incorporación de materia orgánica y de otros elementos (minerales, agua, etc.), este proceso puede darse de forma natural pues las plantas y animales (como en el ejemplo de los zompopos) pueden encargarse de la incorporación de la materia orgánica al suelo, devolviéndole la vida. La emancipación humana y de las mujeres, al igual que en los sistemas naturales, se logra con la recuperación de las relaciones simbióticas de la humanidad con la humanidad y de la humanidad con la naturaleza.

Se hace necesaria la creación de colectividades para sanar nuestros cuerpos y conformar redes de cuidado, diversas y armoniosas, donde se realice la simbiosis natural que corresponde, coexistiendo y recuperando la relación con la naturaleza, esa es la propuesta Agroecofeminista. A lo largo de seis años he tenido la oportunidad de conocer territorios donde las mujeres están trabajando para emancipar sus cuerpos y con los suyos, el de la Madre Tierra. Mujeres en Sayaxché, Petén; Raxuhá, Alta Verapaz; Sololá; Chuarrancho, Guatemala; Sacatepéquez; Chiapas, México y recientemente en la Zona Reina, Quiché, donde en una relación simbiótica, hemos recordado y creado técnicas para la siembra de alimentos en huertos orgánicos que garanticen la alimentación de las familias sin dañar el ambiente; la crianza de animales (gallinas, vacas, patos, cabras, etc.) cuidando y procurando su vida digna (simbiosis de la alimentación). Y con mucha dificultad y obstáculos, día con día, se pretende mejorar las relaciones familiares, principalmente entre mujeres y hombres, donde el trabajo de cuidado se realice de forma colectiva y no recaiga en una sola persona. Esta es quizá la simbiosis más difícil de recuperar, pero no imposible.

La propuesta Agroecofeminista no tiene receta ni guía, es una forma de emancipación en construcción que retoma el papel natural de la humanidad, recordando la simbiosis que se hacía con la naturaleza.

*Zompopos: pertenecientes al género Atta de hormigas americanas de la subfamilia Myrmicinae. Se caracterizan por ser de gran tamaño y vivir en grandes colonias de hasta un millón de individuos, son conocidas como hormigas cortadoras pues recorren grandes distancias para cortar y cargar hojas hasta sus nidales.  En Territorio Mesoamericano se les conoce como  Zompopos, Chicatana, Nocú y sus nidales conocidos como Zompoperas.


Por: Mujeres Unidas Contra la Colonización |Margarita Rodriguez Weweli-Lukana (Colombia) |Juma Gitirana Tapuya Marruá (Brasil)

Muchos Ojos, Un Solo Corazón

A nosotras, hijas de los pueblos originarios de América Latina, la colonización siempre está desde el pasado y sigue siendo nuestro presente. La colonización se ve en la ropa que usamos, en la comida envenenada, el aire tóxico que respiramos, el agua que consumimos de los ríos contaminados, el odio que sembraran en nuestros corazones, en las diferentes maneras de violaciones a las mujeres. ¡Resistimos pues! Estamos en el pasado, presente y estaremos en el futuro hasta el fin del mundo, sosteniendo la tierra y lo poco que nos resta y que es mucho, que es nuestra resistencia y persistencia en mantener nuestra cultura, nuestros muchos ojos con un solo corazón y un solo pensamiento de proteger nuestras tierras y territorios.

Resistencia Indígena.JPG


Por: Putas Tristes Flores | Hace parte de Cinturón Occidental Ambiental |JodeteJovenesPorLaDefensaDelTerritorio|Colombia

Bendito Sea el Fruto de Tus Manos

Hoy la sierva fervorosa y consagrada
a la grandeza del ardor de estar viva,
ofrece ciegamente su rosario
de senos colgados
y con la saliva que derrama su vientre roto
se arrodilla frente a su dios macho
que desde niña la escarba por dentro.

De entre sus piernas maltratas
cuelgan los pesares
de una hembra descomulgada:
por compañera, por madre, por campesina,
por indígena, por joven, por vieja, por lesbiana,
por política, por tierra, por animal.
Ay dolor!

Perdóname si al evocarme lloro
¿Gustas un tecito de lágrimas?

Bendito sea el fruto - Jakeline Vélez Agudelo.“Bendito sea el fruto de tus manos”; Vinilo sobre papel; 25×35. Oct. 2018.

Sandra llueve siempre; de las cuencas de sus ojos brotan cielos borrascosos que no arrastran las penas. Sandra vestida de azul y botas de caucho augura llanto para esta mañana y pronostica lluvia todo el día, torrenciales aguaceros de sus lagrimales mojan el maicito, la cebollita, el frijolito y lo que más tempestades le causa es ese cafecito mitad suyo y mitad de su marido. Sandra, propietaria de un balconcito de montaña, con dos hijos, un esposo que no quiere y perros muertos o perdidos en el monte; confiesa con sollozos al cielo que la tierra le duele, que teme que, como a ella, la escarben. Sandra no quiere que a la tierra le arranquen la piel, lo que Sandra no sabe es que ella es la tierra; la montaña, las aves, sus perros perdidos y las semillas que guarda. Pero Sandra que ya no es solo llanto, un día nos dejó encontrarla para llorar y sanar juntas.

Nosotras cargamos las gallinas de Sandra, les ponemos nombre y las llamamos amigas, hace cuatro años y medio que no comemos parientes suyas porque entendimos que la vida tiene más de dos pies, que amar a Sandra es amar sus gallinas, sus hijos, su casa y sus matas, que amando a Sandra amamos la vida. No comemos gallina, ni pollo, ni vaca, ni cerdo, ni pescado, ni huevo, ni leche, ni nada que proceda de los cuerpos de nuestrxs amigxs, porque su dolor es el nuestro, como el dolor de Sandra que nos recorre a cosquilleos el cuerpo, nuestra compañera, nuestra amiga, nuestra hermana y su casita de monte son entre tantos, el motivo más fuerte para defender la vida. Sandra es todas las mujeres que conocemos, con Sandra tenemos en común que somos eso; mujeres!. También que defendemos nuestros territorios; nuestro cuerpo y la tierrita que pisamos. Somos dos veces Sandra, Olga, Lorena, Leandra, Beatriz, dos veces Gloria, Natalí, Anyi, Claudia, dos veces Dora, Luz Delia, Leidy, Jakeline y las que aún esperamos.

El vestido de Sandra se lo regalé yo, se lo cosí yo. Le dije que se lo probara y que me regalara una foto, le dije que se veía muy linda y que mirara al cielo que era como ver un espejo; ella era el cielo azul, azulitica, y el cielo ya no sufre de miedo. Sandra, hermana, cuando te enfrentas a la plaza pública tus compañeros/mis compañeros te opacan, pero tú y tu vestido se elevan hoy y se elevarán mañana, tomaremos la palabra y gritaremos juntas, agarraditas; en el atrio, en los parques, en los foros, en las asambleas y en las marchas que “Ni la tierra, ni las mujeres somos territorio de conquista”. Que somos amigas, compañeras, hermanas, amantes, cómplices, que defendemos y sufrimos la tierra, pero también luchamos. Hablaremos en nombre de nosotras y de ella y a todo lo que nuestros pulmones den gritaremos ¡Presentes, nunca más ausentes!


Por: Katherine García | Recolectora de Historias | El Salvador

Prohibimos la minería en El Salvador

El 29 de marzo de 2017, El Salvador se convirtió en el primer país en prohibir la minería metálica por motivos ambientales. Ese día Toto y yo fuimos dos de los cientos de personas que se concentraron afuera de la Asamblea Legislativa de El Salvador en espero de un voto histórico. Un voto marcado con la sangre de 5 activistas y símbolo de más de 11 años de luchas y resistencia comunitaria. Nuestro activismo fue lo que nos permitió conocernos en el 2016 y estar juntos mientras se hacía historia en nuestra tierra.

Dani y Toro
Daniela Marin Platero
Llegué a esta lucha a través del agua y el proceso de reconocerme como mujer, feminista, migrante, joven. Este conjunto de cosas son las que informan mi activismo. La transnacionalidad y solidaridad también han sido clave en mi proceso de organización. Vivo fuera de El Salvador desde hace 11 años, y a partir de esto comprendí la importancia de usar mi voz para compartir las historias de mi gente y su lucha. Mi primer intento en hacer esto fue por medio del teatro, y a medida que fui teniendo mejor manejo del Inglés, lo comencé a hacer con mi voz participando en conversatorios, escribiendo pequeñas piezas o sumándome a marchas. Me di cuenta que a pesar de estar lejos, con mi voz podía seguir acuerpando y visibilizando lo que se vivía en El Salvador. Por medio de la solidaridad internacional es que he podido mantenerme conectada a las luchas salvadoreñas, especialmente en relación a la lucha anti minera.

En 2009 comencé la universidad y aprendí sobre la historia y el presente colonial de Canadá. Comencé a sumarme a actividades organizadas por las comunidades indígenas dentro y alrededor de Perborough. Es así como llegué a las caminatas por el agua. Las caminatas por el agua fueron iniciadas por Josephine Mandamin, una mayora de la nación Anishinaabe. Ella ha caminado alrededor de todos los Grandes Lagos de Canadá.  Los Grandes Lagos son un grupo de cinco lagos situados en la frontera entre los Estados Unidos y Canadá. Son el mayor grupo de lagos de agua dulce en todo el mundo contienen el 21 % del agua dulce del mundo.

Estas caminatas fueron las que me enseñaron que sin agua no vivimos. Que el agua es sagrada y que es nuestro deber defenderle a toda costa; por nosotrxs y por todxs lxs que están por venir. Con las caminatas de 2015 y 2017 visitamos decenas de comunidades y caminamos más de 5,144 kms en 14 semanas.

En 2016 tuve la oportunidad de ser parte de la delegación de juventudes canadienses ante la Conferencia de las Naciones Unidas sobre Cambio Climático – COP 22. Esta experiencia, aunque no fue fácil me sirvió mucho para comprender mejor que la justicia climática no se construye a puertas cerradas sino en las calles, en nuestras comunidades. Tal como lo demostraron las comunidades en resistencia a Pacific Rim en El Salvador y tal como lo hacen las comunidades indígenas en Canadá y alrededor del mundo a diario.

Toro

Oscar ‘Toto’ Alemán
Comencé a organizarme a inicios 2008, en San Juan Nonualco, un pueblito al sur de San Salvador. Junto a algunxs compañerxs iniciamos un movimiento que pretendía anteponer la urgencia de recuperar nuestra memoria histórica. Visitábamos ríos buscando partes de piezas del pueblo Nonualco y así creamos el museo “Anastasio Aquino”; en honor a quien lideró la resistencia nonualca contra la invasión española. En este movimiento me acerqué a la agroecología.

En 2009 decidí estudiar agroecología. Poco a poco fui comprendiendo que la agroecología es más que saber sembrar sin químicos, así me comencé a adentrarme en los problemas ambientales del país. La primera vez que asistí a una manifestación fue a una caminata ecológica en junio de 2011. Fui solo, quería comprender mejor porqué la gente se organizaba para salir a la calle. Ese año fui parte del “Comité ecuménico de estudiantes universitarios salvadoreños”, ese tiempo fue de mucho crecimiento para mí. Comprendí las distintas causas de los problemas ambientales en El salvador y en el mundo, y su interconexión.

En 2013 inicié un proceso formativo para la creación de campañas en la “Plataforma Global El Salvador”. Un centro de formación en activismo y empoderamiento para juventudes. La campaña en la que participé se llamó “Todxs somos Agua”, era para exigir la aprobación de una Ley General del Agua en El Salvador. Conectamos nuestra campaña con la lucha anti minera; conocí de la resistencia contra Pacific Rim, en San Isidro, Cabañas. Ese mismo año me organicé en la Red Activista El Salvador y fui parte de la Mesa Nacional Frente a la Minería Metálica (MNFMM) por 2 años, entre 2014 y 2016 también fui parte del Foro del Agua y de la Mesa por la Soberanía Alimentaria, todos movimientos sociales que luchan por la vida. Dentro de la MNFMM hacíamos incidencia en diferentes espectros para lograr la aprobación de una Ley de prohibición de la Minería Metálica en El Salvador. Desde 2017 trabajo con comunidades campesinas en San Pablo Tacachico estableciendo huertos Agroecológicos familiares y apoyando la organización comunitaria por la defensa del derecho humano al hábitat.

 

Estamos a las Puertas del Caos

Gabriela Turcios, Jóven organizada Feminista de clase, 26 Años.
Daniel Portillo, Activista, Anarquista, 27 Años.
Ambos hacen parte del Kolectivo San Jacinto

Daniel: Todo empezó, por el lugar en el que vivo, el barrio San Jacinto que forma parte del municipio de San Salvador, donde me encontraba cerca de una casa de la juventud. Empecé a asistir en el año 2012, en ese momento ya existía el colectivo. Esa fue una las primeras razones por las que inicié a organizarme, más adelante iniciamos con esto de la política. Yo estaba trabajando en ese lugar; tuvimos la iniciativa de echar a andar nuestras ideas con algunos adolescentes que asistían a la casa; en ese contexto yo era estudiante de sociología y Gaby de Artes. Logramos realizar producciones audiovisuales con pocos recursos. El problema fue que la casa era el espacio de una iglesia y querían que trabajáramos sus temas. En 2014 decidimos salir y nos quedamos sin local. Eso nos impulsó a conectar con otras organizaciones y participar en iniciativas en procesos de prevención de violencia, cultura de paz y una perspectiva diferente para dar a conocer el contexto sociopolítico del país. Realizamos también talleres de cine comunitario en algunos centros escolares. Uno de los logros más relevantes como colectivo fue la necesidad de consolidar organización interna a través de la diversidad de pensamiento que tenemos. Empezamos a hacer diferentes proyectos desde la percepción visual de cada quien. Nos formamos en algunos talleres para adquirir más conocimiento, tenemos trabajos que han tenido mucha presencia y visibilidad como PRUDENCIA (AYALA) y la serie de LA CATARSIS.

Gabriela: Nuestra participación en la lucha contra la privatización del agua la iniciamos junto al movimiento social con acciones directas en el 2015, apoyando la reforma constitucional que reconocería al agua como derecho humano. Una de nuestras primeras acciones directas fue que infiltramos a Dany a la asamblea legislativa como periodista en donde logra introducir un megáfono para dirigirse a lxs diputadxs en mitad de plenaria.
En este momento nos encontramos organizados en la Alianza Nacional Contra la Privatización del agua. El riesgo es latente, la empresa privada está empecinada en administrar el agua y las acciones articuladas desde La Alianza han encendido las alarmas. Hace unos días, realizamos una protesta en un foro de la empresa privada cuya temática era sobre la privatización del agua. No estábamos solo personas del colectivo, se encontraban varias organizaciones juveniles con nosotrxs, articulándonos desde La Alianza. En un momento nos levantamos con gritos, carteles y con el corazón acelerado, enojados, con la consigna que se volvió viral por compañerxs que apoyan la lucha y también personas que nos insultaban.

Katherine Garcia
Daniel: Los colectivos de juventudes están acutalmente desarticulados. Existen muchos actores que influyen en esto, aunque también hay muchas rivalidades dependiendo de la agenda que exista y la convergencia de ideologías.  Tenemos aliadxs de nuestra misma edad, pero al no tener una personería jurídica como colectivo, no podemos acceder a proyectos. No tenemos plan de seguridad informática, y apremia el hecho que como generación sepamos cómo salir del país, conocer los puntos ciegos de las fronteras o protocolos de seguridad coordinados con otras organizaciones si esto de la persecución a juventudes organizadas llegaran a intensificarse como en la región centroamericana.
CUANDO UNA PERSONA QUE ES DEFENSORA, FALTA, HAY UNA ALERTA AUTOMÁTICA, NUESTROS NOMBRES Y CARAS SON FÁCILES DE UBICAR. A TRAVÉS DE LAS REDES SOCIALES HAY Y EXISTEN LINCHAMIENTOS PÚBLICOS.

Gabriela: Fue un gran estrés pues es la primera vez que dijimos que sÍ podían hacernos algún daño. Le informamos a la red de seguridad de La Alianza, y asistimos a la Fiscalía General de la República. La persona que nos agredió dio la orden de la difusión de nuestra información personal. Actualmente nos pasamos moviendo de lugar en lugar, y nos informamos siempre donde estamos. Siempre estamos comunicándonos. La ventaja de los demás es que se mueven por sus medios, los más vulnerables somos los que nos movemos en bus.

Daniel: Es delicado que no se trabaje en barrios, comunidades o cantones. Los gobiernos de izquierda llegaron a su fin y la creación del Instituto Nacional de la Juventud no garantizó nada para la juventud. El problema principal era lo mismo: favorecer principalmente las redes en las que ya se conocían entre ellos, poder beneficiarse y aunque hay mucha gente buena ahí, a nivel institucional se volvió mediocre. Ni siquiera hay capacidad para ofrecer apoyo a juventudes perseguidas o criminalizadas como en nuestro caso pues jamás se acercaron a apoyar.

Gabriela: Creo que el agua es un bien humano, una necesidad innata. Creo que como  mujeres estamos más cercanas al agua, y somos nosotras las que históricamente nos encargamos de cuidar los espacios donde se desarrolla la comunidad. Es importante meter feminismo al tema del agua; o sea el patriarcado y el capitalismo es inherente, no podemos decir que el capitalismo está allá y el patriarcado está allá. El agua se está acabando por la empresa privada, y esto es un gran peligro para el desarrollo humano. No tiene que ver con que vamos a pagar una cantidad más grande, tiene que ver con con los ecosistemas, la comida, la supervivencia humana… y como la empresa privada está manejando los discursos, manipulando la opinión pública con que no pueden privatizarla por la constitución, pero así han dicho de otras cosas que han privatizado.

Daniel: Ya es una cuestión generacional, no solo por el hecho que nos hayan privatizado tanto, también es una cuestión de cambio climático y de crisis, no es lo mismo que la privatización de las pensiones, comunicaciones o energía eléctrica que sucedió en los años noventa. El agua es parte del medio ambiente y en el planeta no solo vivimos humanos. ¿Qué le vamos a decir a las nuevas generaciones? Hace unos 15 años se triunfó contra la privatización de la salud, pero a su vez, vienen más amenazas, como las Zonas Económicas Especiales.

Gabriela: ESTAMOS A LAS PUERTAS DEL CAOS SI REGRESA LA DERECHA. COMO JUVENTUD, NO HEMOS VIVIDO LA REPRESIÓN DE SUS GOBIERNOS ¿CÓMO NOS PREPARAMOS? CUANDO LLEGUE EL MOMENTO DEL CAOS SERÁ COMPLICADO Y SERÁ UNA PERSECUCIÓN ABIERTA Y SINIESTRA.


Por Anamhoo y Bruja Migrante |colectivo ADA |México

RevBelarnos a la Tecnología

Existen muchas formas de pensar en la seguridad digital dentro de nuestras resistencias que se ligan al cuidado. Pensamos que la práctica de la seguridad digital nos permite protegernos en comunidad. Sin embargo, creemos que es importante contextualizarla en un ámbito más amplio que tiene que ver con pensar su función en un sistema capitalista patriarcal. Nuestra convicción es que hay espacios digitales que son territorios en disputa. Si reducimos la seguridad digital al ámbito de la protección de la información, corremos el riesgo de caer en el discurso que el sistema mismo nos impone. Cada mañana solemos despertar contentas y buscar la luz.por las noches muchas veces antes de dormir, pasa por nuestra mente que lo más complicado en este sistema no es mantener la esperanza, sino la cordura.

Pensamos así porque llevamos 13 años trabajando con la colectiva ADA, pero también por la experiencia al compartir mi hacer con la tecnología en otras colectividades, especialmente en Seguridad Digital. Hemos podido conocer gente, comunidades y procesos que no solo permiten sentir la resistencia que existe ante lo que Mina Navarro llama “múltiples despojos”, sino que además nos muestra la solidaridad, la convicción por defender este entramado que es la vida y la construcción cotidiana de otras formas que logran no someterse al capitalismo patriarcal.

Así que he tenido la fortuna de ver la esperanza en muchos lugares y formas, pero mantener la cordura es a veces complicado porque una de las formas que adopta este sistema es el de un absolutismo en el que piensas que nada de eso que has visto es real. Comienzas a sentir una mente esquizofrénica. Por otra parte siembra la semilla de horror con tanta violencia y entonces comienzas a vivir en la desconfianza permanente, en la alerta del peligro, en solitario.

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Entre estos dos procesos contradictorios, el del capital que fragmenta, despoja, subsume a los seres vivos a ciclos de explotación, y el opuesto, en el que se defiende la vida en las múltiples dimensiones y considerando su interdependencia, vemos batallas en territorios específicos, uno de ellos en las tecnologías de información y comunicación (TIC). Sin tener aún planteamientos claros desde la defensa personal feminista (o autodefensa feminista como decimos por México) queremos compartir algunas ideas generales para pensar la tecnología, en especial las TIC:

1) Necesitamos re pensar la tecnología, reconocerla en nuestros procesos evolutivos y reclamarla desde nuestros conocimientos ancestrales y necesidades y decidir construirla desde nosotras. En el camino de construir tecnologías liberadas basadas en otros principios como el de la reciprocidad, la libertad, el respeto de ecosistemas, al usar las tecnologías comerciales busquemos hacerlo de otros modos (https://is.gd/c6Z0rx).

2) Reconocer que en la tecnología actual, en particular las TIC, hay dos procesos que fácilmente reconocemos como parte de la explotación, el de la naturaleza y el de los seres humanos que la producen.

3) Reconocer un elemento de explotación que no siempre es tangible, la “explotación de los/las usuarias”. En los servicios comerciales las personas hemos quedado relegadas a ser usuarias con muy pocas posibilidades creativas, nos venden productos y servicios y aprovechan de nuestros datos vendiéndolos y manipulándonos.

4) Ser conscientes de la posibilidad de vigilancia y censura que hay al usar la mayoría de los servicios comerciales de las TIC. Por ejemplo bloqueo de sitios web, interceptación de mensajes, corta disponibilidad. La comunicación siempre es con otros y otras así que introducir la seguridad digital es en el fondo una forma recíproca de cuidado.

5) Determinar el grado de pérdida de autonomía sobre nuestra información al usarlas https://donestech.net/noticia/donestech-y-amigxs-presentan-redes-sociales-en-perspectiva-de-genero-guia-para-conocer-y.

6) Recordar que las TIC en el sistema capitalista patriarcal están hechas para enajenar, entonces ser consciente de cómo influyen en nuestro autocuidado, si están generando dependencia, si nos alternas por su inmediatez, si nos hacen perder perspectiva al encerrarnos en círculos de personas predeterminados, si nos exponen a la violencia. (https://www.ritimo.org/IMG/pdf/sobtech2-es-with-covers-web-150dpi-2018-01-13-v2.pdf pág 55 y https://is.gd/Q0jJPF, )

Es importante repensarnos desde Abya Yala lo que significa la seguridad digital y leerla desde nuestras propias claves. Creemos que desde nuestros múltiples feminismos tenemos que pensar cómo queremos habitar ese centro comercial que actualmente es el internet para no ser golpeadas por su violencia y lograr comunicarnos de forma confidencial. Tenemos que pensar en cómo logramos autonomía en las TIC como parte de este defender nuestras vidas.

Solidaridad, reciprocidad, autogestión.